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Um jovem artista com preocupações sociais

Ao olhar comum, a pesquisa de Vítor Pereira Barros, de 20 anos, remete à estranheza, mas, ao mesmo tempo, remete ao desejo de aprofundar este mesmo olhar, de revisitar a obra a fim de desvendar seus simbolismos. Cada obra suscita um dilema social ou uma cena de algum noticiário da televisão ou dos jornais. “Me inspiro nas pessoas para criar. Acredito no meu papel e na minha obra. É uma forma de ser solidário e fazer minha parte diante de tantos dilemas sociais”. Tímido, o ex-aluno do artista plástico Ademir Trassi faz um trabalho diferenciado, mas, como seu antigo professor define, é um artista consciente, que tem uma sensibilidade e dedicação artística.

Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP ― Domingo, 27 de Fevereiro de 2011
Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP ― Domingo, 27 de Fevereiro de 2011

Na sua casa, aproximadamente 20 telas sinalizam um artista promissor, que usa diferentes instrumentos para compor sua arte. Juntos ou separados, carvão vegetal, giz pastel oleoso, giz pastel seco, lápis de cor e grafite compõem seus desenhos, feitos tanto em aquarela quanto com tinta óleo ou acrílica. Em alguns casos, tinta nanquim ou objetos recicláveis dão tom diferenciado às telas ― abstratas e surrealistas. A arte de Vítor foi descoberta pela professora de artes Carmen Lúcia Rodrigues Seixas, da Escola Estadual “Professora Noêmia Bueno do Valle”. Vítor estava matriculado na 5ª série e seus desenhos se destacavam na turma. “Agradeço muito o apoio dela. Ela acreditou no meu trabalho, incentivou e, desde então, nunca parei”.

Vítor também é grato a Ademir Trassi. “Ele me ensinou as técnicas e mostrou o caminho, além de ser um exemplo de artista plástico”. Filho da dona de casa Renilda e do marceneiro Devandir Barros, morador no bairro Jaguaré, seu sonho é seguir carreira, apesar de temer pela segurança financeira. “Não é tão fácil ser artista plástico. Mas vou seguir meus instintos”.

Essa segurança deu a ele a oportunidade de participar de três exposições. A primeira, na Escola Estadual “Professora Noêmia Bueno do Valle”, ocorreu em 2005, na Unorp. Em 2006, participou de uma mostra de desenhos no Banco Santander. E em 2008, integrou a mostra “Tempo de fazer o melhor com arte”, no Centro Cultural.

Vítor foi premiado no XL Salão de Arte Juvenil “Leopoldo Miceli”, realizado na Casa de Cultura “Dinorath do Valle”, em 2006, e classificou-se para a fase regional do Mapa Cultural Paulista, com exposição das obras selecionadas, em 2007, também na Casa de Cultura. “Os prêmios serviram de incentivo”, afirma o menino, que se autodefine observador. “Minhas telas representam o homem trabalhador, a natureza, e tem elementos como o sol, a lua ou estrelas”, diz.

Assim como outros artistas, em quase todas as suas telas, como um amuleto da sorte, existe uma bandeira do Brasil. “Tenho que homenagear o meu País. As obras são desenvolvidas a partir de situações, cenários e sentimentos presentes no Brasil”. Para potencializar suas obras, Vítor criou um site, onde expõe suas criações. Por meio da página www.surrealismo.com.br, é possível acompanhar a sua trajetória.

Cada desenho ou pintura é descrito pela técnica utilizada, tamanho, data de produção e legenda explicativa. Destaque para “Toca do rato”, que retrata, segundo ele, o tradicional político corrupto. “Escondido na toca, como um rato, espera uma oportunidade para sair, porém, houve problemas”. A tela “Incas e escada”, publicada no dia 27 de janeiro de 2011, merece atenção por mostrar uma técnica nova, que segundo ele, é de sua criação. “É um traço que dá movimento, cor e luz”.

Jornal Diário da Região, São José do Rio Preto/SP ― Domingo, 27 de Fevereiro de 2011.